quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Empresas empregadas

A imensa maioria das pequenas e médias empresas brasileiras tem como principal fonte de capitali-zação o talento de seus donos. 
Gente que acumulou experiência no mercado e que, muitas vezes, foi empurrada para uma “PJ” que se transformou, com o tempo, numa empresa com sede, infra e empregados.
O talento e as relações de emprego anteriores cria o fluxo de tarefas e encomendas e a empresa prospera, contrata, lucra com data de validade determinada pelos mesmos clientes anteriores.
Que, com o tempo, se sentem seguros em buscar novos fornecedores com talento semelhante e preços mais em conta. 
E, caso aconteça algum problema com essa “troca de fornecedores” um telefonema trará de volta, rapidamente, a antiga empresa para eventuais ajustes.
Esse cenário se desdobra e condena as empresas dos “profissionais talentosos” a uma disputa ferrenha no mercado. Ao se tornarem reféns de seus ex-empregadores e contratantes, são induzidos a outros artifícios para sobreviver.
Entrar na guerra de preços é um dos recursos que tendem a reduzir o faturamento e a eliminar os lucros. 
Se transformam em “empresas empregadas”. Sem receber os benefícios sociais que tinham na época da carteira assinada. E o pior: com custos fixos (aluguel, impostos, telefone, carro etc) necessários para manter a empresa aberta.
Os donos dessas empresas, por causa da origem, do talento e dos acertos iniciais, são determinados. E quanto mais insistem, mais afundam. Mais se transformam em commodities no mercado. Até a hora derradeira.
A alternativa é buscar parceiros ou consultores para ajustar o conceito inicial da empresa ao talento de seus fundadores com as necessidades do segmento ao qual se dedica.
Se posicionar de maneira a ser uma fonte de talento para a cadeia produtiva das empresas que até então a contratavam, individual e eventualmente. 
Não é uma tarefa fácil.
Da mesma maneira que nos acostumamos ao status de empregados tendemos a nos viciar também à condição de “empresa empregada”. 
Acreditamos ter uma liberdade maior do que à época da carteira assinada. Nos sentimos “empresários donos do nosso nariz” etc.
Dar um salto de qualidade que transforme nosso talento em mercadoria essencial e adequadamente paga pela cadeia produtiva em que atuamos requer um reposicionamento dos proprietários, um novo estilo de negociação de acordos, o desenvolvimento de prospecção agressiva e altamente profissional.

Resta apenas saber: 
a) o ex-empregado e atual dono da “empresa empregada” está preparado para a mudança? E 
b) está disposto a se reinventar e percorrer os labirintos de criação, de fato, de uma empresa vinculada ao mercado, sem ter que ser necessariamente refém de alguns clientes?

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O fermento empreendedor

Aparentemente quando assumimos a iniciativa de um projeto assimilamos também as tarefas relacionadas com os acordos com investidores, fornecedores e profissionais que nos ajudarão. 
Assinamos contratos, prospectamos clientes, discutimos com lideranças do setor etc. E acreditamos, de verdade, que somos a presença essencial para o sucesso do negócio.
Mas se nos entendêssemos apenas como uma das minúsculas partes vivas responsáveis pela fermentação humana do empreendimento, talvez reavaliaríamos nossa importância. 
E levássemos mais em conta os fatores intangíveis como iniciativa e dedicação dos sócios e dos colaboradores envolvidos; o comprometimento dos fornecedores; e a interação final com a clientela, assumida por todos os envolvidos na cadeia produtiva do empreendimento.
Para elevar nossa percepção a esse nível, humano por excelência e quase espiritual na sua inspiração, talvez fosse adequado aproveitar a metáfora que o fermento biológico nos apresenta, na entrega radical de suas funções pelo sucesso das tarefas culinárias nas quais é utilizado.
O fermento biológico é um composto de seres vivos que são fungos microscópicos (leveduras). Esses fungos se alimentam do açúcar e do amido que existe na farinha de trigo. 
Liberam gás carbônico, que é responsável pelo crescimento da massa. Além do gás é também liberado o álcool que ajuda a dar o sabor ao bolo, pão ou torta. O gás que é exalado durante a reação fica preso nas células pequeninas do seu interior o que faz com que o bolo ou pão fique macio e fofo.
O fermento vivo é usado pela humanidade há milhares de anos. O bolo bem sucedido, isto é, macio, saboroso e fofo, depende da contribuição que as leveduras realizam, quando se consomem radicalmente para cumprir suas funções.
É claro que não propomos a entrega da vida, como um Cristo empreendedor, para garantir a salvação da empresa. 
Mas acreditamos ser capazes de gerar diferenciais competitivos quando compomos nossos relacionamentos, com todos os parceiros vivos envolvidos na cadeia produtiva da empresa, levando em conta seus sentimentos, opiniões, criatividade e comprometimento.
Nos integraríamos, assim, ao fermento humano como fator essencial para o sucesso de um empreendimento. O que nos ajudaria a aproveitar ao máximo nossos potenciais e entregar para os nichos social, cultural e econômico uma empresa humana, criativa e lucrativa.
Observação: cada vez mais se substitui o fermento vivo (as leveduras) por fermento químico, formado de substância ou mistura de substâncias químicas que, pela influência do calor e/ou umidade, produz desprendimento gasoso capaz de expandir massas elaboradas com farinhas, amidos ou féculas, aumentando-lhes o volume e a porosidade. Se consegue o mesmo efeito. Mas sem a metáfora da entrega radical das leveduras pelo sucesso final do bolo. 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Lucriatividade é a resposta antes da pergunta

(transcrevo trecho do meu e-book “Lucriatividade”, que você encontra na Amazon.com.br)
Somos criativos quando assimilamos as respostas antes dos outros (sejam nossos aliados, clientes ou concorrentes) e nos dedicamos a construir as realidades que façam emergir e vincular as perguntas com as respostas que antecipamos.
Porque o vínculo entre a resposta inconsciente, mas imposta pela necessidade latente, com a pergunta que torna explícita essa necessidade gera relacionamentos que nós, viciados na objetividade cartesiana, traduzimos em trocas, compra e venda, consumo e gastos.
Ao nosso redor já existem as condições tecnológicas, o conhecimento e as habilidades que daqui a pouco, muito antes de termos as oportunidades de formular as perguntas, nos proporão respostas tão necessárias quanto o computador onde escrevo e o gadget no qual você me lê.
Como nos ensina a Bíblia, através de Eclesiastes, “nada há de novo debaixo do sol”. Quando o assunto é tecnologia, as respostas nos chegam antes das perguntas desde as remotas épocas das caixinhas de música, de todos os tamanhos; dos relógios e seus tempos e das máquinas industriais com funções variadas.
Primeiro as respostas emergiram no nosso entorno, e estavam vinculadas à automação e a máquinas minimamente eficientes. Em seguida, estimulados pelas respostas latentes que pulsavam no nosso inconsciente coletivo formulamos perguntas claras, que alinhavaram nossos principais desafios.
Da relação subterrânea e inconsciente entre as respostas e as perguntas conscientemente formuladas, surgiram máquinas de imensa complexidade mecânica e eletrônica, capazes de nos oferecer soluções simples, mas confiáveis, como os primeiros teares programáveis de Bouchon e Jacquard, por exemplo. A locomotiva a vapor. O telégrafo. Os primeiros automóveis.
Até que vinculamos perguntas claras com respostas latentes e construímos os computadores que ocupavam uma sala inteira, azuis e poderosos para a época. Que combinaram nossas respostas e perguntas e se tornaram “máquinas programáveis”, capazes de nos obedecer a partir de uma sequência de comandos, os algoritmos, registrados em cartões, fitas magnéticas e circuitos.
Aprendemos a conviver com o progresso. Com respostas rapidamente captadas e com perguntas urgentemente transformadas em maravilhas tecnológicas, que desciam sobre nós, “Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias”, como canta Maria Bethania em “Um Índio”.
Mesmo com tanto progresso e euforia, os computadores, próximos dos que lidamos hoje, somente começaram a ser construídos nos meados do Século 20.
Em 1942, começou a funcionar o Harward Mark I, considerado o primeiro calculador mecânico bem sucedido, que usava fita perfurada para a entrada de dados.
Já o Bell Model V, entrou em operação em 1946. Era sustentado por relés eletromagnéticos e pode ser considerado o dinossauro dos computadores modernos, se compararmos a velocidade da evolução das máquinas disponíveis hoje com a vida na Terra.
Eram máquinas complexas para a época. E extremamente caras e inacessíveis aos mortais. Levavam anos para serem construídas. Mas quando eram colocadas à prova, percebia-se que poderiam ser muito úteis.
A ponto de terem germinado os fungos das respostas à existência de um mercado para elas. Respostas que incentivaram os investimentos e avanços quase que às cegas, contra todo o bom senso que mostrava a enorme distância entre o preço de tais artefatos e a possibilidade de o mercado assumir tais maravilhas.
Foi neste cenário que, em 1943, Thomas Watson, o presidente da IBM, afirmou: "Acredito que exista um mercado mundial em torno de cinco computadores."
Hoje rimos de Thomas Watson. Mas na maioria das vezes repetimos seu discurso, ao nos mantermos prisioneiros das perguntas apenas, em vez de as transcendermos criativamente para sintetizar as respostas latentes que as antecipam e as motivam.
O que nos permitiria perceber respostas cujas perguntas serão impostas pelas nossas necessidades, gerando oportunidades alguns meses ou anos depois.
E, ao estarmos preparados para combinar resposta com pergunta, reverteríamos para nossas organizações, ou para nós mesmos, o diferencial competitivo por assumir nossa visão criativa. Estaríamos sendo, portanto, lucriativos.
Mas ao adotar a criatividade, com chances de gerar eventuais ganhos, share de mercado ou o domínio temporário de alguns nichos comerciais, e se tornar lucriativa, impõe algumas condições.
Só ocorre depois de corrermos os riscos que nos permitirão ajustar às respostas, sempre antecipadas porque se alimentam de necessidades coletivas ainda não expressadas, com as perguntas, que traduzem as soluções propostas, testadas e aprovadas pelos mercados de nossa época.
Assim, contribuiremos, se tivermos sorte e formos persistentes, para agregar valor aos nossos relacionamentos emocionais, sociais e econômicos para as pessoas que consumirão as novas maravilhas, que como um Ipad, um Kindle ou um Google Glass, se vinculam aos nossos desejos mais íntimos e comandam nossos bolsos de maneira implacável.
Conseguiremos, de quebra, nos inserir, plenamente, na transcendência humana  como prêmio por termos arriscado e ajustado as respostas às perguntas que só gradativamente são percebidas por nossos aliados ou concorrentes.
Se você quer se tornar um bandeirante da criatividade, talvez seja o momento de garimpar as respostas que estão aí ao seu redor. Especialmente nos momentos difíceis, nas derrocadas financeiras pessoais ou coletivas e, especialmente, nas crises de proporções mundiais. Mas as respostas emergem também, de maneira latente, nos momentos mais serenos, de alegria e êxtase.
Basta, apenas, que mergulhemos em nós mesmos e nos oceanos de almas que nos humanizam para trazer lá dos nossos abismos a resposta que ao ser apresentada à superfície, será sempre coletivamente ajustada a uma pergunta. Que por sua vez se tornará óbvia, a ponto de exclamarmos: “como não percebemos isso antes?”, porque foi sistematicamente antecipada pela resposta.
Por exemplo, aos poucos aqui e ali se impõe a busca de uma retomada profunda no que nos torna humanos. E as tecnologias de informação disponíveis, com seus gadgets, já têm condições de intermediar, em tempo real, essa vinculação, independente das distâncias.
Busca-se, ainda inconscientemente, as respostas que nos ajudarão a vincular a essa onda que nos vincula a maneira de incluir sutis mensagens comportamentais e/ou comerciais. Que só irão perdurar por alguns instantes, com registros em nossas reflexões, ou se evaporam imediatamente sem deixar traços, em função dos conteúdos emocionais, culturais e sociais que agreguem.
Eis portanto a resposta que se impõe. E daqui a pouco a pergunta adequada se combinará com ela. E descerá sobre nossos bolsos “Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias”.
Se você está confuso ao termos sugerido que a resposta vem antes da pergunta, por emergir da realidade e nos ser imposta pela necessidade, gradativamente, talvez seja adequado recordarmos o filósofo grego Sócrates.
Para Sócrates, é tão impossível ao homem procurar o que já sabe como procurar o que desconhece. “O que ele já conhece não precisa procurar, pois já sabe; aquilo que ele não sabe não pode procurar, uma vez que desconhece o que deve procurar”, diz Sócrates.
Mesmo assim, a humanidade avançou desde os tempos de Sócrates. E um alto executivo que afirmou nos primórdios da era dos computadores, que existia mercado apenas para 5 computadores, hoje nos faz rir. O que nos leva a defender a tese que são as respostas que desequilibram o movimento da nossa evolução.
E ao nos tornar percebidas nos mobilizam em busca das perguntas que as justifiquem. Nos garantindo, inclusive, a escolha de captar as respostas e propor perguntas agressivas que as justifiquem, através de nossos empreendimentos. Para resgatar diferenças competitivas e lucriativas a nosso favor. 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A percepção das oportunidades e a Síndrome de Estocolmo

Somos prisioneiros do nosso passado. E mesmo quando nos consideramos libertos e jogamos nossas vidas na percepção de novas oportunidades, precisamos nos livrar da Síndrome de Estocolmo, que mantivemos com nossas experiências passadas. Tanto as que deram errado, mas, principalmente, com as que deram certo.
Como você sabe, a Síndrome de Estocolmo é o nome dado a um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo sentimento de amor ou amizade perante o seu agressor.
Nascemos dependentes. E muitos de nós, mesmo adultos, ampliam essa vinculação através de ordens, tarefas, submissão a organizações que definem nossas vidas, ganhos e punições.
Muitos incorporam o passado na sua percepção do futuro. Contaminam suas análises com a Síndrome de Estocolmo com os erros e acertos que vivenciaram.
E deixam escapar as oportunidades que só o presente, assimilado com absoluta independência, nos permite captar as combinações possíveis que farão emergir as oportunidades, que estão todas aí, disponíveis.
A Síndrome de Estocolmo com o passado nos prejudica, mais ainda, quando achamos que os acertos se repetirão indefinidamente. Ledo engano que nos cega para as chances futuras se insinuam a cada instante através das falhas nos produtos e serviços do nosso entorno.
Que nos apresentam novas possibilidade de propor acertos através das reclamações de clientes, que são encarceradas em caixas de sugestões.
Perceber oportunidades é um exercício quase místico. Além de termos que escapar da Síndrome de Estocolmo com nosso passado, exige que desenvolvamos fé nos sinais que nos chegam e que rapidamente evaporam.

Sinais que, para se tornarem reais, precisam ser rapidamente energizados (antes que a concorrência o faça) com nossa entrega para que se combinem com os talentos, recursos e necessidades de nossa clientela.