(transcrevo
trecho do meu e-book “Lucriatividade”,
que você encontra na Amazon.com.br)
Somos
criativos quando assimilamos as respostas antes dos outros (sejam nossos
aliados, clientes ou concorrentes) e nos dedicamos a construir as realidades
que façam emergir e vincular as perguntas com as respostas que antecipamos.
Porque
o vínculo entre a resposta inconsciente, mas imposta pela necessidade latente,
com a pergunta que torna explícita essa necessidade gera relacionamentos que
nós, viciados na objetividade cartesiana, traduzimos em trocas, compra e venda,
consumo e gastos.
Ao
nosso redor já existem as condições tecnológicas, o conhecimento e as
habilidades que daqui a pouco, muito antes de termos as oportunidades de
formular as perguntas, nos proporão respostas tão necessárias quanto o
computador onde escrevo e o gadget no qual você me lê.
Como
nos ensina a Bíblia, através de Eclesiastes, “nada há de novo debaixo do sol”.
Quando o assunto é tecnologia, as respostas nos chegam antes das perguntas
desde as remotas épocas das caixinhas de música, de todos os tamanhos; dos
relógios e seus tempos e das máquinas industriais com funções variadas.
Primeiro
as respostas emergiram no nosso entorno, e estavam vinculadas à automação e a
máquinas minimamente eficientes. Em seguida, estimulados pelas respostas
latentes que pulsavam no nosso inconsciente coletivo formulamos perguntas
claras, que alinhavaram nossos principais desafios.
Da
relação subterrânea e inconsciente entre as respostas e as perguntas
conscientemente formuladas, surgiram máquinas de imensa complexidade mecânica e
eletrônica, capazes de nos oferecer soluções simples, mas confiáveis, como os
primeiros teares programáveis de Bouchon e Jacquard, por exemplo. A locomotiva
a vapor. O telégrafo. Os primeiros automóveis.
Até
que vinculamos perguntas claras com respostas latentes e construímos os
computadores que ocupavam uma sala inteira, azuis e poderosos para a época. Que
combinaram nossas respostas e perguntas e se tornaram “máquinas programáveis”,
capazes de nos obedecer a partir de uma sequência de comandos, os algoritmos,
registrados em cartões, fitas magnéticas e circuitos.
Aprendemos
a conviver com o progresso. Com respostas rapidamente captadas e com perguntas
urgentemente transformadas em maravilhas tecnológicas, que desciam sobre nós,
“Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias”, como
canta Maria Bethania em “Um Índio”.
Mesmo
com tanto progresso e euforia, os computadores, próximos dos que lidamos hoje,
somente começaram a ser construídos nos meados do Século 20.
Em
1942, começou a funcionar o Harward Mark I, considerado o primeiro calculador
mecânico bem sucedido, que usava fita perfurada para a entrada de dados.
Já o
Bell Model V, entrou em operação em 1946. Era sustentado por relés
eletromagnéticos e pode ser considerado o dinossauro dos computadores modernos,
se compararmos a velocidade da evolução das máquinas disponíveis hoje com a
vida na Terra.
Eram
máquinas complexas para a época. E extremamente caras e inacessíveis aos
mortais. Levavam anos para serem construídas. Mas quando eram colocadas à
prova, percebia-se que poderiam ser muito úteis.
A
ponto de terem germinado os fungos das respostas à existência de um mercado
para elas. Respostas que incentivaram os investimentos e avanços quase que às
cegas, contra todo o bom senso que mostrava a enorme distância entre o preço de
tais artefatos e a possibilidade de o mercado assumir tais maravilhas.
Foi
neste cenário que, em 1943, Thomas Watson, o presidente da IBM, afirmou:
"Acredito que exista um mercado mundial em torno de cinco
computadores."
Hoje
rimos de Thomas Watson. Mas na maioria das vezes repetimos seu discurso, ao nos
mantermos prisioneiros das perguntas apenas, em vez de as transcendermos
criativamente para sintetizar as respostas latentes que as antecipam e as
motivam.
O
que nos permitiria perceber respostas cujas perguntas serão impostas pelas
nossas necessidades, gerando oportunidades alguns meses ou anos depois.
E,
ao estarmos preparados para combinar resposta com pergunta, reverteríamos para
nossas organizações, ou para nós mesmos, o diferencial competitivo por assumir
nossa visão criativa. Estaríamos sendo, portanto, lucriativos.
Mas ao
adotar a criatividade, com chances de gerar eventuais ganhos, share de mercado
ou o domínio temporário de alguns nichos comerciais, e se tornar lucriativa,
impõe algumas condições.
Só
ocorre depois de corrermos os riscos que nos permitirão ajustar às respostas,
sempre antecipadas porque se alimentam de necessidades coletivas ainda não
expressadas, com as perguntas, que traduzem as soluções propostas, testadas e
aprovadas pelos mercados de nossa época.
Assim,
contribuiremos, se tivermos sorte e formos persistentes, para agregar valor aos
nossos relacionamentos emocionais, sociais e econômicos para as pessoas que
consumirão as novas maravilhas, que como um Ipad, um Kindle ou um Google Glass,
se vinculam aos nossos desejos mais íntimos e comandam nossos bolsos de maneira
implacável.
Conseguiremos,
de quebra, nos inserir, plenamente, na transcendência humana como prêmio por termos arriscado e ajustado
as respostas às perguntas que só gradativamente são percebidas por nossos
aliados ou concorrentes.
Se
você quer se tornar um bandeirante da criatividade, talvez seja o momento de
garimpar as respostas que estão aí ao seu redor. Especialmente nos momentos
difíceis, nas derrocadas financeiras pessoais ou coletivas e, especialmente,
nas crises de proporções mundiais. Mas as respostas emergem também, de maneira
latente, nos momentos mais serenos, de alegria e êxtase.
Basta,
apenas, que mergulhemos em nós mesmos e nos oceanos de almas que nos humanizam
para trazer lá dos nossos abismos a resposta que ao ser apresentada à
superfície, será sempre coletivamente ajustada a uma pergunta. Que por sua vez
se tornará óbvia, a ponto de exclamarmos: “como não percebemos isso antes?”,
porque foi sistematicamente antecipada pela resposta.
Por
exemplo, aos poucos aqui e ali se impõe a busca de uma retomada profunda no que
nos torna humanos. E as tecnologias de informação disponíveis, com seus
gadgets, já têm condições de intermediar, em tempo real, essa vinculação,
independente das distâncias.
Busca-se,
ainda inconscientemente, as respostas que nos ajudarão a vincular a essa onda
que nos vincula a maneira de incluir sutis mensagens comportamentais e/ou
comerciais. Que só irão perdurar por alguns instantes, com registros em nossas
reflexões, ou se evaporam imediatamente sem deixar traços, em função dos
conteúdos emocionais, culturais e sociais que agreguem.
Eis
portanto a resposta que se impõe. E daqui a pouco a pergunta adequada se
combinará com ela. E descerá sobre nossos bolsos “Mais avançado que a mais
avançada das mais avançadas das tecnologias”.
Se
você está confuso ao termos sugerido que a resposta vem antes da pergunta, por
emergir da realidade e nos ser imposta pela necessidade, gradativamente, talvez
seja adequado recordarmos o filósofo grego Sócrates.
Para
Sócrates, é tão impossível ao homem procurar o que já sabe como procurar o que
desconhece. “O que ele já conhece não precisa procurar, pois já sabe; aquilo
que ele não sabe não pode procurar, uma vez que desconhece o que deve
procurar”, diz Sócrates.
Mesmo
assim, a humanidade avançou desde os tempos de Sócrates. E um alto executivo
que afirmou nos primórdios da era dos computadores, que existia mercado apenas
para 5 computadores, hoje nos faz rir. O que nos leva a defender a tese que são
as respostas que desequilibram o movimento da nossa evolução.
E ao nos tornar percebidas nos mobilizam em
busca das perguntas que as justifiquem. Nos garantindo, inclusive, a escolha de
captar as respostas e propor perguntas agressivas que as justifiquem, através
de nossos empreendimentos. Para resgatar diferenças competitivas e lucriativas
a nosso favor.