quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O fermento empreendedor

Aparentemente quando assumimos a iniciativa de um projeto assimilamos também as tarefas relacionadas com os acordos com investidores, fornecedores e profissionais que nos ajudarão. 
Assinamos contratos, prospectamos clientes, discutimos com lideranças do setor etc. E acreditamos, de verdade, que somos a presença essencial para o sucesso do negócio.
Mas se nos entendêssemos apenas como uma das minúsculas partes vivas responsáveis pela fermentação humana do empreendimento, talvez reavaliaríamos nossa importância. 
E levássemos mais em conta os fatores intangíveis como iniciativa e dedicação dos sócios e dos colaboradores envolvidos; o comprometimento dos fornecedores; e a interação final com a clientela, assumida por todos os envolvidos na cadeia produtiva do empreendimento.
Para elevar nossa percepção a esse nível, humano por excelência e quase espiritual na sua inspiração, talvez fosse adequado aproveitar a metáfora que o fermento biológico nos apresenta, na entrega radical de suas funções pelo sucesso das tarefas culinárias nas quais é utilizado.
O fermento biológico é um composto de seres vivos que são fungos microscópicos (leveduras). Esses fungos se alimentam do açúcar e do amido que existe na farinha de trigo. 
Liberam gás carbônico, que é responsável pelo crescimento da massa. Além do gás é também liberado o álcool que ajuda a dar o sabor ao bolo, pão ou torta. O gás que é exalado durante a reação fica preso nas células pequeninas do seu interior o que faz com que o bolo ou pão fique macio e fofo.
O fermento vivo é usado pela humanidade há milhares de anos. O bolo bem sucedido, isto é, macio, saboroso e fofo, depende da contribuição que as leveduras realizam, quando se consomem radicalmente para cumprir suas funções.
É claro que não propomos a entrega da vida, como um Cristo empreendedor, para garantir a salvação da empresa. 
Mas acreditamos ser capazes de gerar diferenciais competitivos quando compomos nossos relacionamentos, com todos os parceiros vivos envolvidos na cadeia produtiva da empresa, levando em conta seus sentimentos, opiniões, criatividade e comprometimento.
Nos integraríamos, assim, ao fermento humano como fator essencial para o sucesso de um empreendimento. O que nos ajudaria a aproveitar ao máximo nossos potenciais e entregar para os nichos social, cultural e econômico uma empresa humana, criativa e lucrativa.
Observação: cada vez mais se substitui o fermento vivo (as leveduras) por fermento químico, formado de substância ou mistura de substâncias químicas que, pela influência do calor e/ou umidade, produz desprendimento gasoso capaz de expandir massas elaboradas com farinhas, amidos ou féculas, aumentando-lhes o volume e a porosidade. Se consegue o mesmo efeito. Mas sem a metáfora da entrega radical das leveduras pelo sucesso final do bolo. 

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