A
imensa maioria das pequenas e médias empresas brasileiras tem como principal
fonte de capitali-zação o talento de seus donos.
Gente que acumulou experiência
no mercado e que, muitas vezes, foi empurrada para uma “PJ” que se transformou, com o tempo, numa empresa com sede, infra e empregados.
O
talento e as relações de emprego anteriores cria o fluxo de tarefas e
encomendas e a empresa prospera, contrata, lucra com data de validade
determinada pelos mesmos clientes anteriores.
Que, com o tempo, se
sentem seguros em buscar novos fornecedores com talento semelhante e preços
mais em conta.
E, caso aconteça algum problema com essa “troca de fornecedores”
um telefonema trará de volta, rapidamente, a antiga empresa para eventuais ajustes.
Esse
cenário se desdobra e condena as empresas dos “profissionais talentosos” a uma
disputa ferrenha no mercado. Ao se tornarem reféns de seus ex-empregadores e
contratantes, são induzidos a outros artifícios para sobreviver.
Entrar
na guerra de preços é um dos recursos que tendem a reduzir o faturamento e a eliminar
os lucros.
Se transformam em “empresas empregadas”. Sem receber os benefícios
sociais que tinham na época da carteira assinada. E o pior: com custos fixos
(aluguel, impostos, telefone, carro etc) necessários para manter a empresa
aberta.
Os
donos dessas empresas, por causa da origem, do talento e dos acertos iniciais,
são determinados. E quanto mais insistem, mais afundam. Mais se transformam em
commodities no mercado. Até a hora derradeira.
A
alternativa é buscar parceiros ou consultores para ajustar o conceito inicial
da empresa ao talento de seus fundadores com as necessidades do segmento ao
qual se dedica.
Se
posicionar de maneira a ser uma fonte de talento para a cadeia produtiva das
empresas que até então a contratavam, individual e eventualmente.
Não é uma
tarefa fácil.
Da
mesma maneira que nos acostumamos ao status de empregados tendemos a nos viciar
também à condição de “empresa empregada”.
Acreditamos ter uma liberdade maior
do que à época da carteira assinada. Nos sentimos “empresários donos do nosso
nariz” etc.
Dar
um salto de qualidade que transforme nosso talento em mercadoria essencial e
adequadamente paga pela cadeia produtiva em que atuamos requer um
reposicionamento dos proprietários, um novo estilo de negociação de acordos, o
desenvolvimento de prospecção agressiva e altamente profissional.
Resta
apenas saber:
a) o ex-empregado e atual dono da “empresa empregada” está
preparado para a mudança? E
b) está disposto a se reinventar e percorrer os
labirintos de criação, de fato, de uma empresa vinculada ao mercado, sem ter
que ser necessariamente refém de alguns clientes?

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