terça-feira, 16 de setembro de 2014

Lucriatividade é a resposta antes da pergunta

(transcrevo trecho do meu e-book “Lucriatividade”, que você encontra na Amazon.com.br)
Somos criativos quando assimilamos as respostas antes dos outros (sejam nossos aliados, clientes ou concorrentes) e nos dedicamos a construir as realidades que façam emergir e vincular as perguntas com as respostas que antecipamos.
Porque o vínculo entre a resposta inconsciente, mas imposta pela necessidade latente, com a pergunta que torna explícita essa necessidade gera relacionamentos que nós, viciados na objetividade cartesiana, traduzimos em trocas, compra e venda, consumo e gastos.
Ao nosso redor já existem as condições tecnológicas, o conhecimento e as habilidades que daqui a pouco, muito antes de termos as oportunidades de formular as perguntas, nos proporão respostas tão necessárias quanto o computador onde escrevo e o gadget no qual você me lê.
Como nos ensina a Bíblia, através de Eclesiastes, “nada há de novo debaixo do sol”. Quando o assunto é tecnologia, as respostas nos chegam antes das perguntas desde as remotas épocas das caixinhas de música, de todos os tamanhos; dos relógios e seus tempos e das máquinas industriais com funções variadas.
Primeiro as respostas emergiram no nosso entorno, e estavam vinculadas à automação e a máquinas minimamente eficientes. Em seguida, estimulados pelas respostas latentes que pulsavam no nosso inconsciente coletivo formulamos perguntas claras, que alinhavaram nossos principais desafios.
Da relação subterrânea e inconsciente entre as respostas e as perguntas conscientemente formuladas, surgiram máquinas de imensa complexidade mecânica e eletrônica, capazes de nos oferecer soluções simples, mas confiáveis, como os primeiros teares programáveis de Bouchon e Jacquard, por exemplo. A locomotiva a vapor. O telégrafo. Os primeiros automóveis.
Até que vinculamos perguntas claras com respostas latentes e construímos os computadores que ocupavam uma sala inteira, azuis e poderosos para a época. Que combinaram nossas respostas e perguntas e se tornaram “máquinas programáveis”, capazes de nos obedecer a partir de uma sequência de comandos, os algoritmos, registrados em cartões, fitas magnéticas e circuitos.
Aprendemos a conviver com o progresso. Com respostas rapidamente captadas e com perguntas urgentemente transformadas em maravilhas tecnológicas, que desciam sobre nós, “Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias”, como canta Maria Bethania em “Um Índio”.
Mesmo com tanto progresso e euforia, os computadores, próximos dos que lidamos hoje, somente começaram a ser construídos nos meados do Século 20.
Em 1942, começou a funcionar o Harward Mark I, considerado o primeiro calculador mecânico bem sucedido, que usava fita perfurada para a entrada de dados.
Já o Bell Model V, entrou em operação em 1946. Era sustentado por relés eletromagnéticos e pode ser considerado o dinossauro dos computadores modernos, se compararmos a velocidade da evolução das máquinas disponíveis hoje com a vida na Terra.
Eram máquinas complexas para a época. E extremamente caras e inacessíveis aos mortais. Levavam anos para serem construídas. Mas quando eram colocadas à prova, percebia-se que poderiam ser muito úteis.
A ponto de terem germinado os fungos das respostas à existência de um mercado para elas. Respostas que incentivaram os investimentos e avanços quase que às cegas, contra todo o bom senso que mostrava a enorme distância entre o preço de tais artefatos e a possibilidade de o mercado assumir tais maravilhas.
Foi neste cenário que, em 1943, Thomas Watson, o presidente da IBM, afirmou: "Acredito que exista um mercado mundial em torno de cinco computadores."
Hoje rimos de Thomas Watson. Mas na maioria das vezes repetimos seu discurso, ao nos mantermos prisioneiros das perguntas apenas, em vez de as transcendermos criativamente para sintetizar as respostas latentes que as antecipam e as motivam.
O que nos permitiria perceber respostas cujas perguntas serão impostas pelas nossas necessidades, gerando oportunidades alguns meses ou anos depois.
E, ao estarmos preparados para combinar resposta com pergunta, reverteríamos para nossas organizações, ou para nós mesmos, o diferencial competitivo por assumir nossa visão criativa. Estaríamos sendo, portanto, lucriativos.
Mas ao adotar a criatividade, com chances de gerar eventuais ganhos, share de mercado ou o domínio temporário de alguns nichos comerciais, e se tornar lucriativa, impõe algumas condições.
Só ocorre depois de corrermos os riscos que nos permitirão ajustar às respostas, sempre antecipadas porque se alimentam de necessidades coletivas ainda não expressadas, com as perguntas, que traduzem as soluções propostas, testadas e aprovadas pelos mercados de nossa época.
Assim, contribuiremos, se tivermos sorte e formos persistentes, para agregar valor aos nossos relacionamentos emocionais, sociais e econômicos para as pessoas que consumirão as novas maravilhas, que como um Ipad, um Kindle ou um Google Glass, se vinculam aos nossos desejos mais íntimos e comandam nossos bolsos de maneira implacável.
Conseguiremos, de quebra, nos inserir, plenamente, na transcendência humana  como prêmio por termos arriscado e ajustado as respostas às perguntas que só gradativamente são percebidas por nossos aliados ou concorrentes.
Se você quer se tornar um bandeirante da criatividade, talvez seja o momento de garimpar as respostas que estão aí ao seu redor. Especialmente nos momentos difíceis, nas derrocadas financeiras pessoais ou coletivas e, especialmente, nas crises de proporções mundiais. Mas as respostas emergem também, de maneira latente, nos momentos mais serenos, de alegria e êxtase.
Basta, apenas, que mergulhemos em nós mesmos e nos oceanos de almas que nos humanizam para trazer lá dos nossos abismos a resposta que ao ser apresentada à superfície, será sempre coletivamente ajustada a uma pergunta. Que por sua vez se tornará óbvia, a ponto de exclamarmos: “como não percebemos isso antes?”, porque foi sistematicamente antecipada pela resposta.
Por exemplo, aos poucos aqui e ali se impõe a busca de uma retomada profunda no que nos torna humanos. E as tecnologias de informação disponíveis, com seus gadgets, já têm condições de intermediar, em tempo real, essa vinculação, independente das distâncias.
Busca-se, ainda inconscientemente, as respostas que nos ajudarão a vincular a essa onda que nos vincula a maneira de incluir sutis mensagens comportamentais e/ou comerciais. Que só irão perdurar por alguns instantes, com registros em nossas reflexões, ou se evaporam imediatamente sem deixar traços, em função dos conteúdos emocionais, culturais e sociais que agreguem.
Eis portanto a resposta que se impõe. E daqui a pouco a pergunta adequada se combinará com ela. E descerá sobre nossos bolsos “Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias”.
Se você está confuso ao termos sugerido que a resposta vem antes da pergunta, por emergir da realidade e nos ser imposta pela necessidade, gradativamente, talvez seja adequado recordarmos o filósofo grego Sócrates.
Para Sócrates, é tão impossível ao homem procurar o que já sabe como procurar o que desconhece. “O que ele já conhece não precisa procurar, pois já sabe; aquilo que ele não sabe não pode procurar, uma vez que desconhece o que deve procurar”, diz Sócrates.
Mesmo assim, a humanidade avançou desde os tempos de Sócrates. E um alto executivo que afirmou nos primórdios da era dos computadores, que existia mercado apenas para 5 computadores, hoje nos faz rir. O que nos leva a defender a tese que são as respostas que desequilibram o movimento da nossa evolução.
E ao nos tornar percebidas nos mobilizam em busca das perguntas que as justifiquem. Nos garantindo, inclusive, a escolha de captar as respostas e propor perguntas agressivas que as justifiquem, através de nossos empreendimentos. Para resgatar diferenças competitivas e lucriativas a nosso favor. 

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